domingo, 12 de julho de 2020

Cenário atual da roça no interior

Fui criado por meus avós em uma pequena cidade no interior do Rio Grande do Norte. Meu falecido avô já fez de tudo, mas ele tinha um talento especial: fazia selas para cavalos.

Quando se aposentou dedicou-se à sua roça (um sítio de uns 2 hectares). Então desde pequeno eu me vi envolto nesse ambiente e confesso que não gostava.

Aos 19, fui para "a cidade grande", me mudei para Sumaré-SP e de lá fui para diversas cidades: morei em Jundiaí, Sorocaba, São José dos Campos e Barueri. Conheci uns 10 estados através das empresas em que trabalhei.

11 anos depois voltei para minha terra natal e hoje tento fazer da terra o meu sustento. Tudo que sabia sobre terra vinha dos meus tios que sempre trabalharam na agricultura, mas hoje com uma cabeça mais aberta eu percebi que não é preciso muito conhecimento técnico para fazer dinheiro com a terra. 

Princípios de gestão são mais importantes, desde que você conheça alguém com conhecimento técnico e/ou tenha a disponibilidade e vontade para aprender. No meu caso, um amigo de infância é um Eng. agrônomo que me dá apoio técnico.

Cenário atual

Pois bem, ao voltar à minha cidade natal e me envolver com a agricultura eu percebi que muito do que se pratica hoje não mudou muito de tempos antigos. Os mais velhos sempre dão valor à tradição e pouco valor para a tecnologia.

Eu estou fazendo um pequeno plantio de feijão (1.200 m2) e nas próximas duas semanas expandiremos para uma outra área (2.200 m2).

Estou nesse empreendimento com um tio que já é aposentado, mas tem na agricultura uma segunda renda[1]. Mas ele é old school (das antiga), quando eu estava falando sobre fertilizantes, ele logo fez um sinal negativo com a cabeça dizendo que "uma terra boa dessa não precisa disso não".

Ledo engano, mas isso é culpa da tradição rsrs

"Sempre foi feito assim...", é o que está no subconsciente deles. Agora eu quero compartilhar alguns dos meus achados quando faço a eles algumas perguntas sobre produtividade e eu já vou entrar em princípios de gestão.

Princípios de gestão

Trabalhei 3,5 anos em uma multinacional chinesa. Grande escola para mim. Eu sempre ouvia dos meus superiores chineses que um cargo de gestão exige 80% de conhecimento gerencial e apenas 20% de conhecimento técnico.

Eu aderi à essa filosofia.

Perguntei ao meu tio sobre produtividade, sobre a produtividade média das culturas que ele costuma plantar (milho e feijão) e a resposta é um: não sei.

Isso é um princípio básico. Certa vez eu escutei que "aquilo que não pode ser medido, não pode ser gerenciado".

Se você não sabe essas informações básicas, você não está gerenciando, está apenas executando sem direção.

Segundo algumas fontes, a produtividade média de um plantio de feijão pode variar de 1.200kg/hectare a 2.400kg/hectare. E um fator que influencia muito esse resultado é o solo (e obviamente água, mas estou considerando uma cultura irrigada). Há outros fatores também como espaçamento etc, mas quero focar na questão da adubação.

Pois bem, "as boas práticas" ditam que o certo é fazer uma análise de solo antes de plantar e com os resultados em mãos, um agrônomo passa a "receita" da quantidade ideal de adubo e quais adubos para fazer com que a sua cultura dê melhores resultados. Algo básico, de um ponto de vista gerencial.

É uma nova perspectiva que eu só poderei mostrar para meu tio através de resultados. Não adianta falar que "fulano que é agrônomo falou", pois na cabeça dele a maneira certa é a dele.

Sobre a questão da adubação, eu não poderei fazer nada nesse momento por não ter os recursos financeiros suficientes... eu sei que sabendo que dado é um investimento garantido, não posso me expôr a esse risco nesse momento (risco = pegar dinheiro emprestado para investir em adubo).

No momento estou indo na "onda" do meu tio e fazendo sem adubação, mas mesmo assim não deixarei de "testar" (falarei sobre MVP em outro artigo). 

Como assim? Nessa pequena área eu estou plantando com um espaçamento de 40cm entre plantas e 1,5 metros entre linhas.

Meu consultor[2] me disse que por não saber o que tem ali naquela terra, eu poderia adotar esse espaçamento. Mas o certo seria fazer uma análise de solo para determinar um espaçamento melhor.

Na segunda área, não terei análise de solo também, mas vou fazer com 1 metro de espaçamento entre linhas e observar a produtividade e comparar com a primeira.

--
[1] Meu tio tem uma vaca que está em lactação, e uns outros "bichos" (como chamam aqui) que não sei precisar a qtd correta. Tem também dois porcos em engorda.
[2] Meu amigo é agrônomo e me dá dicas e como fazer os plantios.

Nenhum comentário:

Postar um comentário