domingo, 12 de julho de 2020

Perca o medo de errar

Ao invés de perguntar se você tem medo de errar, eu vou assumir que você SIM tem medo de errar e então direcionar minha pergunta ao motivo do seu medo.
Já pensou o porquê do seu medo?

Para mim é fácil. Eu tinha muito medo de errar, mas por questões de aceitação. Acreditava que iria ser massacrado por um fracasso, as pessoas iriam olhar para mim com um olhar de desaprovação.

Fica duas lições:

1. muita gente ta cagando e andando pra você
2. você não tem que agradar ninguém (a não ser Jesus ;)

Já falhei em várias empreitadas. Minha primeira quebra foi ao redor dos 13 anos. Eu vendia créditos de cartão de orelhão. Minha vó foi quem me deu o capital inicial, mas como eu não sabia nada sobre finanças, gastava todo o meu faturamento e depois ia pedir dinheiro para minha vó para eu poder comprar mais cartões: logo ela viu que esse negócio tava errado, cortou o "financiamento" e eu quebrei por falta de "estoque".

Tive outras aventuras - até agiota já fui - e sempre tive muito medo do fracasso.

Mas percebo hoje que você não precisa agradar ninguém. Pense no seu empreendimento como uma auto-realização e não como algo para mostrar pros outros (eu sei que é difícil). 

O Estilo Startup

Esse é o título de um livro muito interessante. Esse é o segundo livro do Eric Ries e nesse livro ele faz, além de outras coisas, uma espécie de follow-up do que aconteceu depois do seu primeiro livro: A Startup Enxuta.

De todo o tesouro que há nesse livro, algo que me chamou muita atenção foi a questão da cultura das startups. 

Se você acha que uma startup é uma empresa de excelência que tem tudo resolvido, se enganou. De acordo com Ries, se fosse possível representar a filosofia de uma startup numa frase num objeto esse objeto seria uma caneca com a frase "eu tomo fracasso no café da manhã".

A filosofia das startups é: erre rápido. Isso mesmo. Esses caras não têm medo de errar. Muitas startups estão criando coisas que não existem ainda e nem teria como você ter um parâmetro do que seria o "modelo ideal".

Errar é parte do processo, o que ficam são as lições e é isso que você tem que levar para a sua vida. Se antes eu tinha medo de errar por conta do que os outros iriam achar, hoje me libertei disso e penso: "to c*gando pro que os outros pensam".

Um erro atrás do outro

Já falei que perdi o medo de errar, então hoje busco errar o mais rápido possível. E isso tem acontecido muito hein!

Desde que voltei pro nordeste (5 de jun/20) que venho tentando começar uma pequena horta de alface. Olha que já errei bastante, mesmo vendo vídeos no Youtube e lendo artigos na internet... nada como a prática.

Já cheguei a chorar quando vi metade de minhas mudas morrendo, mas faz parte do processo... importante é não parar de tentar.

Meu tio há 3 meses também tentou entrar no ramo, ele teria pegado uma boa época pois estava saindo da época do inverno e nessa época poucas pessoas plantam hortaliças por conta das chuvas: tem que gastar com sombrite para proteger as plantas da chuva e ninguém quer ter esses gastos.

O preço do "mói" de coentro chegou a R$ 4 (hoje encontra-se a R$ 1.5-2). Ele errou no processo e simplesmente parou.

Eu ainda não consegui mas até agora já aprendi a como não fazer. Meu próximo passo é construir um pequeno "berçário" com sombrite para as mudas e ao mesmo tempo vou plantar direto no canteiro e analisar qual a melhor maneira.

800 mudas de alface e nada...

Eu comecei com 400 sementes - duas bandejas de 200 cada. Plantei escalonado (2 por semana), mas quando as mudas da segunda leva estavam nascendo eu já estava desesperado com as 400 primeiras.

1# Erro: eu estava regando com um regador normal. E o pingo de água gerado por ele é muito forte para as pequenas mudas. Nesse processo perdi já um bocado.

2# Erro: não ter construído uma pequena estufa-berçário foi meu pior erro. Aqui em casa tem uma pequena área sombreada, 2 metros quadrados mais ou menos.

Eu criei duas bancadas de madeira de 0,74x1,5m com 2 andares e lá coloquei as bandejas com as mudas. Acontece que como essa pequena área está coberta com telha e a luz vem por um lado, as mudas estavam fazendo fototropismo[1] e isso entortava o caule delas, com as regadas que eu dava, só atrapalhava e matava mais ainda.

Ainda por conta de não ter essa pequena estufa, certo dia eu não percebi que certa hora do dia o sol ficava direto nas plantas,  e aqui no nordeste dá 32 graus às 11h, e isso fez com que algumas mudas morressem quase que queimadas, literalmente.

E nesse período eu comecei a fazer a preparação da terra para o plantio do feijão e acabei deixando as mudinhas de lado acabando de matar as outras. Pois já tinha decidido que iria recomeçar só quando tivesse a estufa já pronta.

.... Mas diferentemente do meu tio, ainda estou com essa meta em mente e não desisti ainda. Isso é o que importa.

Cenário atual da roça no interior

Fui criado por meus avós em uma pequena cidade no interior do Rio Grande do Norte. Meu falecido avô já fez de tudo, mas ele tinha um talento especial: fazia selas para cavalos.

Quando se aposentou dedicou-se à sua roça (um sítio de uns 2 hectares). Então desde pequeno eu me vi envolto nesse ambiente e confesso que não gostava.

Aos 19, fui para "a cidade grande", me mudei para Sumaré-SP e de lá fui para diversas cidades: morei em Jundiaí, Sorocaba, São José dos Campos e Barueri. Conheci uns 10 estados através das empresas em que trabalhei.

11 anos depois voltei para minha terra natal e hoje tento fazer da terra o meu sustento. Tudo que sabia sobre terra vinha dos meus tios que sempre trabalharam na agricultura, mas hoje com uma cabeça mais aberta eu percebi que não é preciso muito conhecimento técnico para fazer dinheiro com a terra. 

Princípios de gestão são mais importantes, desde que você conheça alguém com conhecimento técnico e/ou tenha a disponibilidade e vontade para aprender. No meu caso, um amigo de infância é um Eng. agrônomo que me dá apoio técnico.

Cenário atual

Pois bem, ao voltar à minha cidade natal e me envolver com a agricultura eu percebi que muito do que se pratica hoje não mudou muito de tempos antigos. Os mais velhos sempre dão valor à tradição e pouco valor para a tecnologia.

Eu estou fazendo um pequeno plantio de feijão (1.200 m2) e nas próximas duas semanas expandiremos para uma outra área (2.200 m2).

Estou nesse empreendimento com um tio que já é aposentado, mas tem na agricultura uma segunda renda[1]. Mas ele é old school (das antiga), quando eu estava falando sobre fertilizantes, ele logo fez um sinal negativo com a cabeça dizendo que "uma terra boa dessa não precisa disso não".

Ledo engano, mas isso é culpa da tradição rsrs

"Sempre foi feito assim...", é o que está no subconsciente deles. Agora eu quero compartilhar alguns dos meus achados quando faço a eles algumas perguntas sobre produtividade e eu já vou entrar em princípios de gestão.

Princípios de gestão

Trabalhei 3,5 anos em uma multinacional chinesa. Grande escola para mim. Eu sempre ouvia dos meus superiores chineses que um cargo de gestão exige 80% de conhecimento gerencial e apenas 20% de conhecimento técnico.

Eu aderi à essa filosofia.

Perguntei ao meu tio sobre produtividade, sobre a produtividade média das culturas que ele costuma plantar (milho e feijão) e a resposta é um: não sei.

Isso é um princípio básico. Certa vez eu escutei que "aquilo que não pode ser medido, não pode ser gerenciado".

Se você não sabe essas informações básicas, você não está gerenciando, está apenas executando sem direção.

Segundo algumas fontes, a produtividade média de um plantio de feijão pode variar de 1.200kg/hectare a 2.400kg/hectare. E um fator que influencia muito esse resultado é o solo (e obviamente água, mas estou considerando uma cultura irrigada). Há outros fatores também como espaçamento etc, mas quero focar na questão da adubação.

Pois bem, "as boas práticas" ditam que o certo é fazer uma análise de solo antes de plantar e com os resultados em mãos, um agrônomo passa a "receita" da quantidade ideal de adubo e quais adubos para fazer com que a sua cultura dê melhores resultados. Algo básico, de um ponto de vista gerencial.

É uma nova perspectiva que eu só poderei mostrar para meu tio através de resultados. Não adianta falar que "fulano que é agrônomo falou", pois na cabeça dele a maneira certa é a dele.

Sobre a questão da adubação, eu não poderei fazer nada nesse momento por não ter os recursos financeiros suficientes... eu sei que sabendo que dado é um investimento garantido, não posso me expôr a esse risco nesse momento (risco = pegar dinheiro emprestado para investir em adubo).

No momento estou indo na "onda" do meu tio e fazendo sem adubação, mas mesmo assim não deixarei de "testar" (falarei sobre MVP em outro artigo). 

Como assim? Nessa pequena área eu estou plantando com um espaçamento de 40cm entre plantas e 1,5 metros entre linhas.

Meu consultor[2] me disse que por não saber o que tem ali naquela terra, eu poderia adotar esse espaçamento. Mas o certo seria fazer uma análise de solo para determinar um espaçamento melhor.

Na segunda área, não terei análise de solo também, mas vou fazer com 1 metro de espaçamento entre linhas e observar a produtividade e comparar com a primeira.

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[1] Meu tio tem uma vaca que está em lactação, e uns outros "bichos" (como chamam aqui) que não sei precisar a qtd correta. Tem também dois porcos em engorda.
[2] Meu amigo é agrônomo e me dá dicas e como fazer os plantios.